Machu Picchu

Machu Picchu – História

Machu Picchu

Machu Picchu em Agosto de 2015

A cidade de Machu Picchu foi construída no século XV, sob as ordens de Pachacuti. Ela também é conhecida como “Cidade Perdida dos Incas”, e está localizada no Peru, no topo de uma montanha, a 2400 metros de altitude. Cerca de 30% da cidade é de construção original, o restante foi reconstruído, isso devido à sua descoberta tardia em 1911. Essas áreas reconstruídas são facilmente reconhecidas, pois as construções originais são formadas por pedras maiores, e com encaixes com poucos espaços entre as rochas.

São diversas as teorias sobre a função de Machu Picchu, porém a mais aceita, afirma que a cidade foi construída com o intuito de supervisionar a economia das regiões conquistadas e com o propósito secreto de refugiar o soberano Inca e seus seguidores, no caso de ataque. Você sabia que o imperador Inca só usava uma roupa por dia? E que, depois de usada, era queimada no fogo? Na época, um grupo de mulheres era designado especialmente para costurar as roupas novas para cada dia do rei Inca – isso até ele morrer!

REDESCOBRIMENTO

Ela foi redescoberta em 1911 pelo professor norte-americano Hiram Bingham, que iniciou os estudos arqueológicos, dando o nome de “a Cidade Perdida dos Incas” através de seu primeiro livro, Lost City of the Incas. Porém, naquela época, o objetivo de Bingham era outro: encontrar a legendária capital dos descendentes dos Incas, Vilcabamba, tida como uma fortaleza extremamente segura, utilizada contra os invasores espanhóis, entre 1536 e 1572. Ao colocar os pés em Urubamba, ele recebeu do camponês Melchor Arteaga o relato que em meio à elevação pedregosa e íngreme de Machu Picchu existiam abundantes ruínas. Alcançá-las significava subir por uma empinada ladeira coberta de vegetação. Quando Bingham chegou à cidade pela primeira vez, obviamente encontrou a cidade tomada por vegetação nativa e árvore. E também era infestada de víboras. Fonte: pt.wikipedia.org

CURIOSIDADES DA CIDADE PERDIDA

Os terremotos eram comuns naquela região, então os antepassados quéchuas aprenderam como construir casas que resistissem a estes sismos – coisa que os espanhóis não tinham a menor experiência, e já chegaram na vibe “seus bárbaros, eu sou a civilização”, destruindo tudo e construindo suas próprias igrejas. Moral da história: em Cusco, os espanhóis construíram a Catedral de Santo Domingo em cima de um templo Inca. Rolou terremoto e toda a parte espanhola foi destruída, mas os tijolinhos incas permaneceram intactos. Sabe de nada, inocentes…

Estrutura de tijolos

Estrutura de tijolos

Mas enfim: da colonização espanhola para cá, rolaram vários terremotos fortes no Peru, sendo o mais forte em 2007. E Machu Picchu resistiu lindamente a todos os terremotos na história. E sabe como eles resistiram? Arquitetura, meu caro Watson. Se você reparar, vai ver que as bases das casas são um pouco “tortinhas”, inclinadas para o centro? Isso distribui o peso e ajuda as casas a manter-se de pé no caso de tremores. O mesmo acontecia com as janelas, meio em formato de trapézio.

Esse conhecimento, aliás, não era só restrito ao povo do rei Inca; todos os povos andinos já tinham experiência em desenvolver construções que resistissem aos inúmeros tremores já que eles eram frequentes na região. Foram várias técnicas que foram mudando, de século para século, e que conseguimos ver até hoje nas ruínas peruanas. Por exemplo, essa foto daí debaixo é um exemplo da Huaca Pucllana, que fica em Lima (ok, não é Machu Picchu mas serve como exemplo, né?): repare que entre cada tijolinho há um espaço pequeno – isso serve para que a energia do tremor de terra reverbere entre os espaços vazios e a pirâmide resista ao terremoto – era uma técnica usada lá entre os anos 200 a 700 depois de Cristo, quando acredita-se que essa pirâmide foi construída.

As técnicas foram evoluindo desde então até chegar na mais recente, que é feita com tijolos bem lisos e é encontrada tanto em alguns templos de Machu Picchu como na base feita ainda com tijolos da época Inca na Catedral de Santo Domingo, em Cusco. Bacana, né? Viajar pelo Peru é uma experiência bacana por conta disso: parece que são várias aulas de arquitetura e história ao vivo e a cores!

LHAMAS

Todos os anos milhares de pessoas passam por Machu Picchu e se encantam com as dóceis lhamas, é de praxe tirar uma, ou várias fotos com elas, e sempre elas estão lá pra decorar a paisagem. Este animal tem pelagem longa e lanosa, e é domesticado para a utilização no transporte de carga, produção de lã, carne e couro. A lhama é relacionada com o guanaco, a vicunha e a alpaca. Foi domesticado pelo povo inca, tendo sido muito importante para os mesmos.

Lhamas

Lhamas pegando um bronzeado

As lhamas vivem na Cordilheira dos Andes, onde as temperaturas são baixas. Assim, as pelagens servem para protegê-los do frio, além de proteger o seu corpo de arranhões e outros ferimentos. A lhama é conhecida pelo seu estilo calmo, muitas vezes andando devagar, porém pode se irritar facilmente: por este motivo, foi considerada o oitavo animal mais irritável do mundo segundo o canal Animal Planet. Quando irritada ou para chamar a atenção, espirra seu muco na direção do objeto de sua irritação.

Sim, elas são charmosas, engraçadas, fotogênicas, mas não estão ali desde os tempos dos antigos andinos: o primeiro casal de lhamas foi levado até Machu Picchu lá por volta dos anos 70, e desde então são 14 lhamas que vivem na região: um macho e seu harém de fêmeas. PS: Aliás, quando fomos, tinha até um bebê lhama, deitado tranquilamente longe do alcance dos turistas!

A verdade é que, mesmo não sendo habitantes da região desde os tempos dos incas, hoje já se habituaram a fazer a alegria dos visitantes: como estão acostumadas a terem várias câmeras apontadas para elas desde que nasceram, são domesticadas e ficam totalmente à vontade com turistas.

CIDADE ABANDONADA E PROTEGIDA

Um dos grandes mistérios que rondou por anos a cidade dos Incas foi a razão pela qual a cidade foi abandonada, praticamente intacta, e deixada para ser engolida pela floresta. A razão explicada pelos pesquisadores foi a seguinte: com a chegada dos espanhóis ao Peru e a destruição de todas as cidades do império Inca para a busca de ouro, os líderes da cidade sagrada de Machu Picchu, por ser uma cidade importante do ponto de vista sagrado e espiritual, decidiram abandonar a cidade e apagar todos os vestígios dos caminhos para chegar até ela, e assim tentar mantê-la a salvo dos espanhóis.

Ponte Inca

Ponte Inca

Sim, porque a coisa era feia, bem feia: os relatos diziam que os espanhóis chegavam a uma cidade do império inca e primeiro matavam todas as mulheres e crianças. Em seguida, escravizavam os homens, roubavam o ouro e destruíam os templos – sem falar que a Inquisição também chegou a Cusco, como forma de domínio.

A coisa foi bem sangrenta por lá. Então, para proteger a cidade sagrada, todos os habitantes de Machu Picchu abandonaram a cidade, destruindo os caminhos que levavam até ela e cobrindo com mato, galhos e plantas qualquer indício da presença deles que pudesse chamar a atenção dos espanhóis. Uma das rotas, por exemplo, foi essa: a ponte Inca, que exige uns 40 minutos de caminhada de Machu Picchu até ali, e que mostra uma das últimas vias de saída da cidade.

O último que atravessasse a ponte deveria destruir a base de madeira e esconder o acesso com mato, para que ela não fosse encontrada. Hoje, a trilha pode ser visitada a partir do próprio santuário de Machu Picchu, sem precisar pagar bilhetes extras, mas o acesso permite chegar até próximo a ela, não cruzá-la. Embora, honestamente, não sei se eu iria querer cruzá-la… Basta um passo em falso para cair no precipício logo abaixo.

IMPACTO AMBIENTAL

Mas se Machu Picchu foi poupado da destruição espanhola, a cidade sagrada teve também sua cota de estrago no século XX devido a seus visitantes. E um deles foi o próprio Hiram Bingham, o ‘”descobridor” de Machu Picchu (antes deles, já haviam registros de alguns alemães que haviam encontrado a cidade perdida e levado consigo peças preciosas, até hoje nunca recuperadas). Ao encontrar a cidade perdida, toda coberta pela mata por séculos, ele percebeu que levaria um tempo enorme para limpar a cidade, removendo todo o mato e os galhos para poder efetivamente fazer suas buscas e pesquisas. Tipo, um trabalho desse levaria uns dois meses para ser bem feito. Ele não tinha esse tempo todo. Então ele lançou mão de um recurso mais rápido.

Fogo. Ele tacou fogo em toda a Machu Picchu. Pois é, que absurdo, não? Mas era 1911, numa época em que, convenhamos, o mundo ainda não era de ninguém mesmo, e ele conseguiu limpar o mato de toda a Machu Picchu, para poder estudar as pedras e a cidade. O fogo destruiu também o revestimento das casas, que eram feitos com um tipo de argila resistente ao tempo e que era pintado, com pinturas e desenhos próprios da decoração da época. Perdeu-se tudo. Mas isso nem foi o pior. Com o tempo, Machu Picchu foi chamando a atenção de vários descobridores e recebendo milhares de visitas desde então – todas com pouquíssimas preocupações em preservar o patrimônio que tinha lá. E a pior delas foi em 1976, quando o rei espanhol Juan Carlos I resolveu conhecer a cidade Inca aterrissando de helicóptero bem nessa praça principal. Esse luxo foi terrível para Machu Picchu!

Primeiro, porque antes da chegada do rei, havia nessa praça principal uma importante construção de pedra que foi removida para dar lugar ao helicóptero e jamais foi recolocada. Segundo, porque a praça em si tem propriedades acústicas, e foi construída com este propósito: era nela que, nos tempos antigos, o imperador Inca ia até o seu centro e falava ao seu povo, que o escutava nas “arquibancadas” ao redor. Sua voz reverberava por todo o pátio, que até hoje tem essa acústica bacana. Agora você imagina o barulho estrondoso que um helicóptero faz para uma estrutura assim! E em terceiro, acredita-se que o peso do helicóptero deve ter afetado alguma estrutura de pedra na parte inferior da cidade, já que Machu Picchu possuía diversas fontes de água que corriam pela cidade, e que hoje se limitam a fracas canaletas de água. Tanto guias e pesquisadores perceberam essas mudanças de 1976 para cá, e acreditam que estes danos estão relacionados diretamente à fatídica visita de helicóptero.

Machu Picchu

Nascer do Sol em Machu Picchu

Existe hoje uma regra que limita a visitação a Machu Picchu a 1.500 pessoas por dia – o que, cá entre nós, não é seguido. Guias locais falam de 2.000 a 3.000 pessoas andando pela cidade perdida todos os dias, todo o ano – e o número chega a 4.000 em datas especiais como no solstício de inverno e de verão. Claro, se naquela época acreditava-se que a população da cidade não ultrapassava uns 600 habitantes, o que dizer dos danos à estrutura de Machu Picchu com a circulação de 1.500 pessoas ali por dia? Por isso que o santuário recebe um cuidado especial: bases colocadas no chão e um recapeamento das “ruas” de Machu Picchu que ocorre de tempos em tempos, feitos, no período do fechamento do parque. Assim, o santuário fica sempre aberto para os visitantes, 365 dias por ano. Fonte: www.dondeandoporai.com.br

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Saiba mais sobre o autor: Diego Santos

Diego Santos é Gestor de Ti, Músico e adepto de esportes e aventuras.