Pedra da Mina – 4º Cume do Brasil

Pedra da Mina – 2.798 metros de altitude

Por Marcela Camilo

 

A Pedra da Mina segundo o IBGE é o quarto maior pico do Brasil, com 2798 metros de altura e segundo algumas opiniões é a subida mais difícil do Brasil, exigindo muito condicionamento físico para uma ascenção tranquila.

 

O Planejamento

Planejamos a trilha e partimos em um grupo de 5 pessoas. Para a Pedra da Mina existem dois trajetos, um via travessia da Serra Fina e outro pelo Paiolinho, partindo da Fazenda Serra Fina. Fizemos esse último.

Nosso ponto de partida foi a cidade de Passa Quatro/MG. Decidimos subir de madrugada mesmo porque sabíamos que muitas pessoas também visitariam o pico e queríamos acampar nele.

O Trajeto

A estrada estava boa, então conseguimos subir toda ela de carro, cerca de 12 km até o bairro Paiolinho e mais uns 2 km até a Fazenda, ponto de partida da trilha (após passar pelo Bairro Paiolinho e se deparar com uma bifurcação na estrada, siga à direita). Essa estrada não é recomendada quando há barro. Fica bem difícil de subir, praticamente intransitável para carros comuns.

A Trilha

Iniciamos a trilha por volta das 03:30 da manhã, todos com lanternas. Seguimos por uma mata fechada com uma subida leve (basta seguir sempre a trilha batida). Nesse caminho temos que atravessar pequenos riachos, até chegar a um maior. A água é tão cristalina que impressiona pela beleza. Não é necessário abastecer água se ainda tiver um pouco, melhor deixar para o último ponto para economizar peso.

Seguindo adiante chegamos a uma clareira que tem uma bifurcação, a famosa panela (que ficava pendurada em uma das árvores, mas ela não está lá mais), o caminho é à direita e começa a ficar bem mais íngreme. Após uma subida “sem fim”, passando inclusive por lugares abertos, chegamos ao último ponto d’água. Abastecemos (é recomendado cada um seguir adiante com 4 litros de água).

Paramos um pouco para descansar, cerca de 1 hora, fizemos um café e saímos novamente quando amanheceu.

Logo entramos um charco com bastante capim elefante. É preciso ter muita atenção para não se perder nesse trecho e muito cuidado para não cair na lama negra. Mas caso uma das hipóteses aconteça mantenha a calma porque a pior consequência é atrasar um pouco a subida. É interessante passar por esse trecho com luvas, porque é necessário agarrar ao capim muitas vezes e há risco de cortar a mão.
Passado esse trecho, começa a impiedosa subida do “Deus me livre”. A partir daqui a navegação conta com auxílio dos totens. Dá para contar com eles até o final.

Muita paciência agora porque a subida é longa, de escalaminhada. Essa parte castiga bastante e o peso da mochila começa a incomodar muito. Durante a subida paramos algumas vezes para “respirar”.

Dica: não fique olhando para cima procurando o final da subida, porque você irá se decepcionar (rsrs…)! Subir, subir, subir e quando cansar, subir bem mais ainda(rsrs…).

A recompensa de tanto esforço já se apresenta no decorrer dessa subida. A vista vai ficando cada vez mais impressionante, parece o cenário do filme Jurassic Park (rsrs…). O tempo estava bem nublado, o que nos ajudou, porque com sol seria mais desgastante ainda.

O pior havia passado, mas ainda tínhamos muito chão para percorrer. Seguimos descendo um pouco, rumo à outra subidona, conhecida como “Misericórdia”. No final dessa pequena descida encontramos um lugar mais plano com muitas árvores. É um bom lugar para acampar caso seja necessário.

Descobrimos que a subida da “Misericórdia” é conhecida também como “Morro do Engano”, porque você pensa que após ultrapassá-lo não terão mais subidas a não ser a Pedra da Mina… E realmente isso é um engano (rsrs…).

Os totens nos dão a direção até a base da Pedra da Mina, onde tem um bom local para camping, mas o que queríamos mesmo era acampar no topo e então, terminamos de subir até finalmente atingirmos o cume do 4º ponto mais alto do Brasil!

 

O Cume

Como era de se esperar a vista é de tirar o fôlego e vale todo o esforço. Lá do alto dá pra ver várias cidades, o Pico das Agulhas Negras e Marins, dentre outros e também o vale do Ruah.

Conseguimos ótimos abrigos para montar acampamento. Descansamos até assistir o pôr do sol maravilhoso! Nessa hora muita gente que estava acampada na base subiu ao cume.

Ventava muito! Acredito que a sensação térmica chegou a cair com esse vento todo.
A noite apreciamos um céu muito bonito! Preparamos nosso jantar, bebemos nosso vinho e fomos dormir.

Ao amanhecer o nascer do sol foi próximo ao Pico das agulhas Negras. Um espetáculo novamente!

Correu tudo bem, foi muito divertido, nosso grupo na mesma sintonia, muita amizade e companheirismo o tempo todo! Isso faz muita diferença!! Só não foi 100% perfeito porque não vimos o “mar de nuvens”. Tanto vento deve ter espantado todas elas (rsrs…). Mas se não foi 100%, foi 99,99% (rsrs…).

Logo recolhemos nosso acampamento e iniciamos a descida.

Infelicidade: encontramos ao longo do caminho fogueiras apagadas e muito lixo, especialmente papel higiênico. Isso entristece muito. As pessoas não estão respeitando as montanhas. Isso não se faz! Sempre leve seu lixo com você e evite ao máximo acender fogueiras.

Participantes:

Marcela andre_moraes JPaulo Paulinho Rafael
Marcela Camilo André Moraes João Paulo Paulo Júnnior Rafael Maciel

Fotos:

Veja as fotos dessa trip! Clique aqui!

Dados técnicos:

  • Distancia inicio da trilha ao cume: aprox. 9km (só ida).
  • Altitude início: 1.550 metros
  • Altitude fim (Pedra da Mina): 2.798 metros
  • Tempo em deslocamento: 6:30h
  • Tempo total de paradas: 1h
  • Tempo total: 7:30h
  • Temperatura mínima: 8ºC
  • Fotos: André Moraes / Paulo Junnior / João Paulo / Rafael Maciel

 

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Saiba mais sobre o autor: Marcela Camilo